quinta-feira, 24 de março de 2011

SEPULTURAS ANTROPOMÓRFICAS I

Introdução
Elas estão por aí, onde menos se espera, a esmo, ao abandono, esquecidas, no meio do moitedo de giestas, silvas, fieitos, urzes, estevas; muitas vezes, em alto, no cimo de um qualquer barroquinho, outras vezes em baixo, rente ao chão, quase sempre desenhadas em pedras de raiz, as pedras fixas ou "perafitas", muito raramente em pedras móveis do tipo dos sarcófagos feitos em lasca de pedra fina mas não tão profundas e sem tampa... Chamam-lhes antropomórficas, em meu entender, e no que respeita a uma grande parte delas, erradamente, já que muitas não têm a forma do corpo humano (anthropós): são verdadeiros podomorfos gigantes, são triangulares, rectangulares, por vezes autênticas "banheiras" a que eu preferiria chamar barcos ou barcas, dada a simbologia... Porque a única característica em comum é estaram escavadas na pedra talvez a designação mais acertada devesse ser de sepulturas rupestres. O povo chama-lhes também pias, e como não houvera de ser?! É que, quando situadas nos cerros e encostas agrestes, acabam por funcionar como cisternas ou reservatórios guardando por largo tempo a água das últimas chuvas: cães de caça, rebanhos, lobos, raposas, teixugos, e toda a bicheza doméstica ou bravia sabem bem do seu poiso porque é aí que se reabastecem e matam a sede quando a canícula aperta e a estiagem se prolonga. Sei de algumas que são mesmo pias em sentido próprio já que transportadas em zorras, corsas ou outros aprestos de arrasto foram trazidas de largo e estão agora à entrada ou dentro de cabanais, lojas, curros ou estábulos para dar de beber ao gado. As gentes rurais, na sua simplicidade, chamam-lhes ainda, e penso que com razão (mais adiante explicarei!), camas das moiras pois acreditam que em certas datas, nomeadamente na noite de S. João, se vêm ali deitar e adormecer até o sol raiar, lindas moças loiras e morenas, tendo ao lado, em alguns casos, segundo a lenda, meadas de linho feito oiro e mantas repletas de figos secos ou a secar...à espera do primeiro felizardo que seja capaz de lhes quebrar o encantamento...
Votadas ao abandono e ao esquecimento, verdadeiras relíquias do passado, mas certamente em relação com o fenómeno da Morte, qualquer que tenha sido a sua função, velhas de séculos ou milénios, perderam de todo a dignidade que tiveram, com largas responsabilidades para todos aqueles que estão pagos para cuidar de tudo o que seja cultura e património, a começar pelos órgãos autárquicos de base, sejam as Juntas de Freguesia, sejam as Câmaras, sejam IPAR(S) e quejandos. A desvergonha e a falta de respeito, em alguns casos, chega ao desplante de o assumido e pretenso dono as escavacar a guilho, pistolo. marreta e pólvora barroqueira, aramar o terreno em volta e colocar placas de aviso do tipo de: "Proprieté Privèe"! "Défense d'entrer"! Pelo dialecto, está-se mesmo a ver que tipo de inluências culturais subjazem ao fenómeno, com todo o respeito... Outras vezes, e dada a desertificação que campeia, são os caminhos seculares, para não dizer milenares, bem assinalados em cartas e mapas, que de repente, sem mais nem ontem, aparecem obstruídos e integrados em propriedades particulares com total desinteresse por parte de quem tem obrigação de zelar pela cultura e pela coisa pública, nomeadamente, e de novo, Juntas, Câmaras, Protecção Civil, e até os homens bons, e à antiga, que já não há - espécie de desforra de uns tantos que deram em crescer à custa de preconceitos mais que ultrapassados. A cultura, um pouco como o ar, o céu, o mar, o sol, a água, são bens, que por serem de todos, não são de ninguém.
Este tipo de sepulturas encontram-se, regra geral, aos pares, por vezes em grupos de três, raramente isoladas, não sem que, mais raramente ainda constituam verdadeiras necrópoles ou cemitérios com dezenas de exemplares, caso de S. Gens (Fornotelheiro - Celorico da Beira), Moreira de Rei (Trancoso) e até mesmo em Trancoso próximo e a NE do Tribunal Judicial.
Em face dos elementos disponíveis, não há, ou eu não conheço, uma teoria verdadeiramente consistente que acerca delas justifique e dê alguma lógica à sua função e até à sua datação cronológica, tendo em atenção o fenómeno da Morte e os rituais próprios desta ou daquela época, seja, no geral, a inumação ou a incineração dos corpos.
Não há, assim, unanimidade quanto à função nem quanto à época a que pertencem, acontecendo até, e no que à inumação se refere, haver fortes contradições entre as teorias propostas e o que na realidade concreta se passa, seja, nomeadamente, a falta de profundidade das "covas", seja a ausência de tampas, seja o serem parte dos alicerces de velhas capelas ou templos paleo-cristãos. Do que pude apurar e, nomeadamente, quanto à sua datação cronológica, há quem as considere pré-históricas (Breuil), quem as situe na Baixa Idade Média quando se encontram junto de templos medievais (Amorim Girão); e outros dizem-nas ainda romanas ou paleo-cristãs, ou seja, dos primórdios do cristianismo (Rocha Peixoto).
Adensa-se o enigma e as dificuldades quanto à sua interpretação aumentam, penso, porque este tipo de sepulturas rupestres se encontram hoje totalmente descontextualizadas em relação ao tipo de povoamento em que estiveram integradas. Difícil, assim, para não dizer impossível, uma interpretação correcta e fidedigna para o fenómeno se não for tido em conta e recriado o contexto em que elas (sepulturas) estiveram vivas na sua função fúnebre de honrar e dar acareio aos mortos.
É assim minha convicção que este tipo de sepulturas rupestres, nomeadamente essas que se encontram por aí perdidas por cerros e matagais, são, no geral, lusitanas, pertencem cronologicamente à época do ferro, funcionaram, estou em crer, no mínimo, até ao advento e instalação do cristianismo (séculos II e III DC), e estiveram integradas em um tipo de povoamento disperso que precedeu a romanização, a qual terá dado origem ao povoamento moderno ou concentrado, que é o actual, também este em vias de sofrer forte descaracterização, como é sabido, dada a desertificação rural que campeia e a que vamos assistindo impunemente. Tratei dessa temática do Povoamento no meu livro "O País das Pedras", editado em 2001, nas rubricas Povoamento Lusitano e Povoamento Romano, a páginas 107 e 117, respectivamente, para onde remeto o leitor interessado. Enquadradas que estavam estas sepulturas rupestres em um tipo de povoamento disperso, como afirmei, inseridas obviamente na cultura lusitana, elas não escapam ao fenómeno da simbologia das Pedras que caracterizou o "modus vivendi" dos lusitanos e que eu venho abordando e decifrando nos meus trabalhos de há mais de vinte anos a esta parte. Essa a razão suficientemente firme e sustentada, penso, que me leva a afirmar que elas são lusitanas. Por outro lado, dada a sua pouca profundidade, a ausência de tampas, dado o rito da incineração que esteve, no geral, em voga nessa época, tendo ainda em atenção o pouco número de exemplares face à população existente, segundo os textos, elas nunca poderiam ter servido para inumar. Daí a minha proposta: elas serviriam, isso sim, para expor o cadáver e honrá-lo antes da cremação - uma espécie de velório, ao tempo. Seriam, assim, camas ou campas expositórias. Daí a verosimilhança entre esta sua verdadeira função e a lenda popular das moiras que aí se vêm deitar nas noites de S. João!... O facto de aparecerem aos pares corrobora a explicação: uma seria para os homens e a outra para as mulheres. Quando aparecem em grupos de três, a menor, por regra transversal às outras duas, serviria para os "novos", que eram os "alvos" e os "ruivos" em sentido estrito. As outras duas seriam para os "velhos" igualmente em sentido estrito, ou seja, os casados.
Dos muitos exemplares de sepulturas antropomórficas que conheço, aquelas que apresentam maior número de elementos da cultura lusitana, tal como eu a interpreto, são as que integram o Monumento Funerário das Panchorras, também tratado neste Blog, sito no limite da Freguesia de Pêga (Guarda). Foram exactamente estes dados que, extrapolando, e por analogia, me permitiram generalizar e poder afirmar o que atrás disse. Seja-me permitido relembrar os elementos lusitanos integradores de tais sepulturas antropomórficas:
- Elas contêm em baixo-relevo um símbolo de cavaleiros exposto a nascente na face do barroquinho que as suporta;
- Integram em alto uma ara de sacrifícios humanos onde seria igualmente praticada a trepanação;
- A curta distância (uns dez metros) a norte, está também uma ara de sacrifícios animais onde, pela forma, seriam imolados um bode, uma ovelha, um porco...com recravas para prisão dos ditos;
- Aos "pés", parte sul, quatro caracteres gregos (?) prefiguram a palavra ARYS (Ares) que era, como se sabe, o nome do deus da guerra dos lusitanos;
- Uma cruz incisa na pedra, ao lado das sepulturas, a nascente, quererá dizer que o monumento funerário foi cristianizado, certamente nos alvores do cristianismo e numa altura em que ele ainda estaria activo;
- No topo, em alto, e junto das sepulturas, o desgaste é notório e o rebaixamento na rocha calcinada permite-nos afirmar, penso, com alguma segurança, que a cremação dos corpos se realizava ali mesmo ao lado, funcionando assim o barroquinho como ara crematória.
Também, e no contexto espacial dos vários exemplares que abordarei a seguir, seja, o Porto Mancal (Miuzela), a necrópole de S. Gens (Celorico da Beira) e Moreira de Rei (Trancoso), é possível detectar elementos integradores da cultura lusitana, nomeadamente no que à simbologia das Pedras se refere, como a seu tempo veremos.
No que respeita à cremação dos corpos, às honras tributadas ao defunto, eventualmente à sua exposição e veneração antes da incineração, virá a propósito referir o que nos diz José Leite de Vasconcelos em Religiões da Lusitânia, Vol. III, página 14, a propósito dos Funerais de Viriato (século II AC):
«Apiano, escritor grego dos século II da era cristã, descreve assim os funerais que a sua gente lhe fez: "Ora pois, tendo-o vestido magnificamente, queimaram-no em uma altíssima pira, e sacrificaram-lhe muitas vítimas; e tanto os soldados de infantaria, como os da cavalaria, correndo à roda, armados e em pelotões, dirigiam-lhe louvores, à maneira dos bárbaros; e até que a pira se extinguiu, todos estiveram em volta dela. Acabada que foi a cerimónia fúnebre, celebraram-se combates corpo a corpo sobre o sepulcro. Tal saudade Viriato deixou de si".
"Nestes funerais temos de distinguir os seguintes elementos:
- Cremação do cadáver depois de muito bem adereçado;
- Sacrifício de vítimas;
- Elogio fúnebre proclamado pelos soldados;
- Deposição das cinzas num sepulcro;
- Combate de gladiadores sobre ele".
E Leite de Vasconcelos conclui, ainda, da seguinte forma: "as palavras de Apiano quanto à cremação do cadáver de Viriato estão de acordo com os resultados obtidos pela arqueologia pois que na segunda Idade do Ferro, ou de La Tène (século VI AC), a cremação estava em voga. As outras cerimónias têm também conhecidamente paralelos em diversos povos"».
Do documento de Apiano e das palavras de Leite de Vasconcelos se poderá concluir também que a incineração dos corpos se fazia ao ar livre, talvez em cima de lajes destinadas ao efeito, do tipo do barroquinho das Panchorras, e não em fornos crematórios como o da Pedra Formosa da Citânia de Briteiros, segundo proposta de interpretação de alguns autores, no início, ao fundo e a sul da referida cividade minhota.
Uma outra interpretação, distinta da de Leite de Vasconcelos, para a palavra "sepulcro", poderá ser a de que as cinzas de Viriato terão jazido sobre o próprio terreno em que o corpo foi cremado, o que poderia constituir regra para outros casos. Efectivamente, e segundo o texto de Apiano, após as cerimónias fúnebres, ter-se-ão realizado combates de gladiadores sobre o sepulcro. Não estou a imaginar este tipo de lutas, por vezes colectivas, em cima de um qualquer mausoléu mesmo que grande em tamanho pela existência de "pilheiras", ou seja, pequenas repartições como as dos pombais onde se colocavam as urnas funerárias, do tipo das célebres e extensas "columbárias" da via Ápia nas imediações de Roma... Acresce ainda que a palavra sepulcro pode aqui (no texto de Apiano) ter um outro significado que é o de "local onde morreu muita gente, onde houve muitas vítimas". Ora, pelo texto, ficámos também a saber que das cerimónias fúnebres fizeram igualmente parte "hecatombes" (mais de cem vítimas) a que não foram alheios certamente sacrifícios humanos, nomeadamente de prisioneiros. De registar que neste contexto e com igual significado, porventura, é muito frequente na zona a que preferencialmente se reportam os meus trabalhos o topónimo Mortórios. De acrescentar ainda, e segundo a opinião de Leite de Vasconcelos, que, no geral, "não havia na Lusitânia sumptuosidade na fábrica da morada dos mortos".
Não faltam documentos a atestar da regra da incineração dos cadáveres na Ibéria, como um ritual dominante na Pré-história, na Idade do Bronze e do Ferro. Vejamos.
«Sílio Itálico, em Punica XVI, 546 - 548, falando de um duelo realizado no ano de 206 AC entre Corbis e Orsua, príncipes celtibéricos, diz que havendo-se matado um ao outro, foram depois queimados em uma pira mas que, como eram irmãos, a chama se fendeu em duas e que nem as cinzas quiseram repousar juntas (Religiões da Lusitânia, Vol. III)».
«O uso de incinerar os cadáveres que estava em voga na Lusitânia no tempo da República persistiu no do Império por largo tempo... Os dois modos de sepultar usados no século V AC subsistiam ainda no século I da era cristã mas o da incineração era mais geral. A incineração não se aplicava às crianças que ainda não tinham dentes. Os pobres eram mais vezes inumados que incinerados. O rito da incineração trazido pelos romanos com a conquista veio sobrepor-se a um rito que já cá existia (Religiões da Lusitânia, Vol. III, página 377)».
É o dogma da Ressurreição e a necessidade de um corpo que sirva de suporte à alma, após o Juízo Final, que leva o Cristianismo a adoptar para os seus fiéis o rito da inumação chegando mesmo a proibir a incineração: « A Igreja logo nos primeiros tempos do Cristianismo condenou e proibiu, entre os seus fiéis, a prática da cremação dos cadáveres. Segundo o cânone n-º 1240, os cristãos que desejarem a incineração do seu corpo serão privados de sepulturas eclesiásticas (GEPB)».
Também, e mais uma vez, Leite de Vasconcelos se refere ao fenómeno da Ressurreição a propósito de algumas sepulturas existentes em Mértola:
«Às inscrições de Myrtilis correspondia um vasto cemitério situado no local que hoje se chama Rocio do Carmo, na vila de Mértola, em parte explorado por Estácio da Veiga, em parte por mim, cemitério que constava de sepulturas de diversos tipos, umas delas feitas de pedra, outras abertas em fragas, outras na terra simples: os cadáveres eram postos em decúbito dorsal, geralmente sem objectos ao pé; as campas estavam muito fechadas por causa da crença de que os corpos deviam ficar bem conservados para poderem ressuscitar no juízo final (Religiões da Lusitânia, Vol III, página 582)».
Também o mesmo autor, e no mesmo extracto do texto, coloca a questão igualmente levantada por mim da ausência de tampas para as sepulturas rupestres existentes no território nacional, ao afirmar: «Vem a propósito notar que em Portugal abundam as sepulturas abertas em fragas, as quais se encontram ora em grupos, ora avulsas, sempre já esvaziadas e destapadas, o que dificulta conhecer a época». Ao que eu acrescentaria "conhecer igualmente a sua função".
Ainda segundo Leite de Vasconcelos "as cinzas mortuárias depositavam-se já em "ollas" já no próprio chão das sepulturas", o que terá acontecido nos funerais de Viriato.
As "ollas" eram o equivalente às urnas cinerárias, normalmente feitas de barro, mas também de chumbo e de pedra sendo guardadas em terreno do defunto ou mesmo na própria casa. Coloco a questão de, entre os lusitanos, poderem ainda ser feitas de madeira, e isto a crer no geógrafo grego Estrabão quando afirma que, embora em um outro contexto que não este, "os lusitanos utilizavam sobretudo vasos de madeira". Este facto poderia explicar, no todo ou em parte, o não aparecerem tais artefactos fúnebres dado que a madeira é material perecível. Coloco ainda a hipótese de algumas das poças que superabundam por cerros e barrocais, outrora povoados, poderem ter servido de "urnas cinerárias"; para o efeito bastaria uma simples lasca a servir de tampa aos despojos fúnebres incinerados e aí colocados. Os denominados "fiéis de Deus", que são montículos de pedras existentes por esses campos fora, em algumas zonas do país, e o hábito de as pessoas acrescentarem o monte com uma pedra e rezarem um padre-nosso pelos seus mortos, bem poderão estar em conexão e ser mesmo um sucedâneo das primitivas e diminutas sepulturas que faziam as vezes das olas ou urnas cinerárias. Mais uma questão em aberto!
Também na cultura popular, é minha convicção, existem ainda alguns resquícios que nos vêm desse tempo longínquo em que a regra era os nossos antepassados cremarem os corpos e quiçá guardarem, cada um, as cinzas dos seus ou devolverem-nas tão simplesmente à mãe-terra de que provimos. Ainda hoje o ritual de espalhar as cinzas nos rios, nos mares, nos campos, nas montanhas, não será de todo em todo ocasional. Veja-se o caso dos indianos em relação ao Ganges, por exemplo...
A expressão popular "saber cinzas de sete lares", que se aplica a mulheres que sabem muito da vida alheia, poderá remontar a esse tempo em que as cinzas eram guardadas em casa, no lar... Veja-se da dificuldade, ao fim de várias gerações mortas e incineradas, em identificar as cinzas correspondentes a este ou àquele membro da família. Só realmente alguém muito por dentro do assunto poderia fazê-lo com acerto. Daí a expressão "saber ou distinguir" as cinzas dos vários mortos da família, ou seja, as tais "cinzas de sete lares"... É que, não há epitáfios!
Ainda, o termo "pilheira" que, no tocante aos ritos cinerários, significa o espaço onde se guardam as olas nos columbários, ainda hoje significa, na Beira, a parte da retaguarda da lareira onde se depositam as cinzas sobrantes do último lume...
Ainda hoje, nos meios rurais, acerca de assuntos sérios e importantes, as gentes se juram: "Pelas cinzas do meu pai! Pelas cinzas do meu homem! Etc.
Também o ritual cristão da imposição das cinzas, na Quarta-Feira de Cinzas, que de princípio se aplicava apenas aos grandes pecadores e só depois se generalizou a todos os fiéis, poderá ter a ver com a incineração que precedeu a inumação entre os cristãos. Na própria fórmula "memento homo quia pulvis es et in pulverem reverteris" (lembra-te, homem, que és pó e em pó te hás-de converter), o termo , poeira, estão, na verdade, em conexão com o material utilizado que deve ser cinza de ramos de oliveira, de palmeira e de videira. Aliás, o termo latino pulvis, eris, no plural, significa isso mesmo: as cinzas dos mortos (Dicionário Latino-Português, Torrinha).